domingo, 22 de maio de 2016

Resposta pedagógica a uma sociedade em constante mutação


As novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) evoluíram de tal forma que, o que começou por ser uma ferramenta, cresceu como um fenómeno capaz de reorganizar as sociedades.

Através desse estímulo tecnológico e em resposta aos novos desafios que emergiram no seio das diversificadas atividades humanas, pediu-se à Escola  que educasse para a constante mudança e que dotasse os alunos de competência digital (recomendação da Comissão Europeia), uma chave para a adaptação e progressão contínua dos indivíduos e respectivas comunidades no mundo actual.

Adaptabilidade e a capacidade de inovar acaba por ser, inicialmente, tarefa dos mestres (aqueles que ensinam), tendo por finalidade, o saber fazer emergir essas mesmas qualidades nos seus alunos. A aquisição de tais competências estimularia a criatividade e dotaria o sujeito aprendente de um sentido reflexivo/crítico, capacidades necessárias para superar os desafios do Século XXI. Neste sentido, podemos falar num processo de transferência, partilha e cooperação na responsabilidade da aprendizagem entre professores e alunos, esperando-se destes últimos, maior autonomia e motivação.

Não podendo o Aprender ser uma contrariedade e não sendo o Saber um sistema fechado, faz todo o sentido que  a prática docente esteja em constante evolução, quer na relação com os alunos, quer na relação com o Saber, o Saber Aprender e as ferramentas que potenciam tais práticas e relações.

Contextualizando o ciberespaço, segundo Pierre Levy, como  "a virtualização da comunicação" e neste contexto, apesar de não existir comunicação face to face, a interatividade  tem um papel central, isto porque, dois fatores contribuem para fazer de um grupo proveniente de diferentes origens. culturas e experiências,  uma comunidade de aprendizagem: a força do laço social e a intencionalidade dos encontros.

De acordo com Garrisson, Anderson e Archer (Garisson et al., 2000), a aprendizagem acontece a partir da interação de três elementos: a presença  cognitiva, a presença social (afetiva) e a presença de ensino. No que respeita ao desafio académico proposto por esta UC, no momento, a reflexão impõe-se sobre o papel e as competências do professor que se situa entre criador de conteúdos e facilitador entre alunos-conteúdos e entre alunos-alunos.

Adoptar novas práticas pedagógicas  é uma resposta naturalmente requerida na construção significativa de conhecimento em ambientes emergentes como as comunidades educativas em ambiente virtual (sistema de ensino a distância), sem constrangimentos de barreiras geográficas ou de horários rígidos. Em E@D ( Ensino a distância), as classes podem ser virtuais (e-learning) ou mistas (b-learning) e o LMS permite usar ferramentas de comunicação assíncrona (fóruns, blog), ou síncrona (Chat, Skype).


Os quadros seguintes foram elaborados segundo Fátima Goulão - Ensinar e aprender em ambientes online: alterações e continuidades na(s) prática(s) docente(s), da bibliografia referenciada.O primeiro quadro incide sobre as áreas e competências que um professor deve desenvolver e o segundo em que ambientes podem ser utilizadas, quando as interações humanas e de ensino-aprendizagem são mediadas por computador.

Síntese das competências e do papel do professor em interações mediadas por computador
Área de conhecimento do professor
- Conhecimentos sobre o desenvolvimento humano
- Conhecimentos sobre os conteúdos a lecionar
- Conhecimentos didáticos e pedagógicos
- Conhecimentos tecnológicos

Área de Ação Docente
- Planificação
- Recursos
- Comunicação

Área Pedagógica
- Animador, dinamizador, moderador, facilitador, comunicador, líder e motivador

Área Organizacional
- Avaliações das matérias pelas quais é responsável

Área Social
- Criador de ambientes positivos e amigáveis que fortalecem as interações e o trabalho colaborativo

Área Técnica
- Conhecedor teórico e prático das TIC



Sabendo que a utilização das TIC em meio educativo, representa um ensino mais apelativo, com maior motivação para aprender pelos alunos e que promove a partilha entre estudantes, "resta-nos" responder quanto aos ambientes no âmbito da sua amplitude:


Em que ambientes?
No seio das aulas
Nos centros educativos
Na extensão das próprias aulas

  - Em bibliotecas

  - Em museus
                          Com Wifi?
Em qualquer lugar e em qualquer momento

      Em que tipo de ensino?
Formal:  Ensino Básico; Secundário e Superior

Não Formal de formação profissional e desenvolvimento pessoal e artístico

Em conclusão, partilho uma visão de futuro, uma preocupação presente, cujos enunciados políticos e económicos se inscrevem na mutação dos paradigmas humanos, dos quais o educativo não é exceção.



Referências bibliográficas consultadas pela turma

Alfredo Manuel Cordeiro de Oliveira, Luís Tinoca .AS IMPLICAÇÕES DO B-LEARNING NO SUCESSO, SATISFAÇÃO E MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS DO 3ºCICLO DO ENSINO BÁSICO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NOS CONCELHOS DE RIO MAIOR E SANTARÉM. Universidade Aberta, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa

Carlos Miguel Azevedo Esteves. O B-LEARNING COMO MODALIDADE VÁLIDA DE APRENDIZAGEM NO 1ºCICLO DO ENSINO BÁSICO: ESTUDO DE CASO COM UMA TURMA DO 3º ANO DE ESCOLARIDADE. Escola Superior de Educação de Bragança.

Cunha, Tiago Mota & Figueiredo, Marina Barros - O impacto da Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares das escolas secundárias do concelho de Lisboa, 2010

Coutinho, Mariana de Souza & Fabiarz, Alexandre - Redes sociais e educação: uma visão sobre os nativos e imigrantes digitais e o uso de sites colaborativos em processos pedagógicos

Escola, J. J. J. 'Ensinar e aprender na Sociedade do Conhecimento'. Livro de Actas-4° SOPCOM - Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro.

 1Moreira, António J. & Monteiro e Angélica (orgs.), Ensinar e Aprender Online com Tecnologias Digitais, Porto Editora

Moreira, J.A.M. & Monteiro, A.A. - O trabalho pedagógico em cenários presenciais e virtuais no ensino superior - Educação, Formação & Tecnologias (Novembro, 2010)

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