As novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) evoluíram de tal forma que, o que começou por ser uma ferramenta, cresceu como um fenómeno capaz de reorganizar as sociedades.
Através desse estímulo tecnológico e em resposta aos novos desafios que emergiram no seio das diversificadas atividades humanas, pediu-se à Escola que educasse para a constante mudança e que dotasse os alunos de competência digital (recomendação da Comissão Europeia), uma chave para a adaptação e progressão contínua dos indivíduos e respectivas comunidades no mundo actual.
Adaptabilidade e a capacidade de inovar acaba por ser, inicialmente, tarefa dos mestres (aqueles que ensinam), tendo por finalidade, o saber fazer emergir essas mesmas qualidades nos seus alunos. A aquisição de tais competências estimularia a criatividade e dotaria o sujeito aprendente de um sentido reflexivo/crítico, capacidades necessárias para superar os desafios do Século XXI. Neste sentido, podemos falar num processo de transferência, partilha e cooperação na responsabilidade da aprendizagem entre professores e alunos, esperando-se destes últimos, maior autonomia e motivação.
Não podendo o Aprender ser uma contrariedade e não sendo o Saber um sistema fechado, faz todo o sentido que a prática docente esteja em constante evolução, quer na relação com os alunos, quer na relação com o Saber, o Saber Aprender e as ferramentas que potenciam tais práticas e relações.
Contextualizando o ciberespaço, segundo Pierre Levy, como "a virtualização da comunicação" e neste contexto, apesar de não existir comunicação face to face, a interatividade tem um papel central, isto porque, dois fatores contribuem para fazer de um grupo proveniente de diferentes origens. culturas e experiências, uma comunidade de aprendizagem: a força do laço social e a intencionalidade dos encontros.
De acordo com Garrisson, Anderson e Archer (Garisson et al., 2000), a aprendizagem acontece a partir da interação de três elementos: a presença cognitiva, a presença social (afetiva) e a presença de ensino. No que respeita ao desafio académico proposto por esta UC, no momento, a reflexão impõe-se sobre o papel e as competências do professor que se situa entre criador de conteúdos e facilitador entre alunos-conteúdos e entre alunos-alunos.
Adoptar novas práticas pedagógicas é uma resposta naturalmente requerida na construção significativa de conhecimento em ambientes emergentes como as comunidades educativas em ambiente virtual (sistema de ensino a distância), sem constrangimentos de barreiras geográficas ou de horários rígidos. Em E@D ( Ensino a distância), as classes podem ser virtuais (e-learning) ou mistas (b-learning) e o LMS permite usar ferramentas de comunicação assíncrona (fóruns, blog), ou síncrona (Chat, Skype).
Os quadros seguintes foram elaborados segundo Fátima Goulão -
Ensinar e aprender em ambientes online: alterações e continuidades na(s)
prática(s) docente(s), da bibliografia referenciada.1 O primeiro quadro incide sobre as áreas e competências que um professor deve desenvolver e o segundo em que ambientes podem ser utilizadas, quando as interações humanas e de ensino-aprendizagem são mediadas por computador.
Síntese das
competências e do papel do professor em interações mediadas por computador
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Área de conhecimento do
professor
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- Conhecimentos sobre o
desenvolvimento humano
- Conhecimentos sobre os
conteúdos a lecionar
- Conhecimentos didáticos e
pedagógicos
- Conhecimentos tecnológicos
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Área de Ação Docente
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- Planificação
- Recursos
- Comunicação
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Área Pedagógica
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- Animador, dinamizador,
moderador, facilitador, comunicador, líder e motivador
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Área Organizacional
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- Avaliações das matérias pelas quais é
responsável
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Área Social
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- Criador de ambientes positivos
e amigáveis que fortalecem as interações e o trabalho colaborativo
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Área Técnica
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- Conhecedor teórico e prático das TIC
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Em que ambientes?
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No seio das aulas
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Nos centros educativos
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Na extensão das próprias aulas
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- Em
bibliotecas
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- Em museus
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Com Wifi?
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Em qualquer lugar e em qualquer momento
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Em que tipo de ensino?
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Formal: Ensino Básico; Secundário e Superior
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Não Formal de formação profissional e
desenvolvimento pessoal e artístico
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Em conclusão, partilho uma visão de futuro, uma preocupação presente, cujos enunciados políticos e económicos se inscrevem na mutação dos paradigmas humanos, dos quais o educativo não é exceção.
Referências bibliográficas consultadas pela turma
Alfredo Manuel Cordeiro de
Oliveira, Luís Tinoca .AS IMPLICAÇÕES DO B-LEARNING NO SUCESSO, SATISFAÇÃO E
MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS DO 3ºCICLO DO ENSINO BÁSICO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NOS
CONCELHOS DE RIO MAIOR E SANTARÉM. Universidade Aberta, Instituto de
Educação da Universidade de Lisboa
Carlos Miguel Azevedo Esteves.
O B-LEARNING COMO MODALIDADE VÁLIDA DE APRENDIZAGEM NO 1ºCICLO DO ENSINO
BÁSICO: ESTUDO DE CASO COM UMA TURMA DO 3º ANO DE ESCOLARIDADE. Escola Superior
de Educação de Bragança.
Cunha, Tiago Mota &
Figueiredo, Marina Barros - O impacto da Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares das
escolas secundárias do concelho de Lisboa, 2010
Coutinho, Mariana de Souza &
Fabiarz, Alexandre - Redes sociais e educação: uma visão sobre os nativos e
imigrantes digitais e o uso de sites colaborativos em processos pedagógicos
Escola, J. J. J. 'Ensinar e
aprender na Sociedade do Conhecimento'. Livro de Actas-4° SOPCOM - Universidade
de Trás-Os-Montes e Alto Douro.
1Moreira, António J. &
Monteiro e Angélica (orgs.), Ensinar e Aprender Online com Tecnologias
Digitais, Porto Editora
Moreira, J.A.M. & Monteiro,
A.A. - O trabalho pedagógico em cenários presenciais e virtuais no ensino
superior - Educação, Formação & Tecnologias (Novembro, 2010)
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