No enunciado das competências a atribuir às
bibliotecas escolares do século XXI, espera-se que a biblioteca digital, com as
suas ferramentas de comunicação e informação, cresça no seio educativo “como uma
rede de neurónios”, capaz de estimular toda uma comunidade e estabelecer pontes
interdisciplinares e multiculturais.
A Web 2.0 permite, graças à sua capacidade
de interatividade, esbater os obstáculos de tempo/espaço, facilitando o acesso
à informação, a partir de qualquer local e sem constrangimentos de horário. A universalidade do acesso na Web, aproxima
os que nela interagem, num registo de eficácia e eficiência, just in time.
Neste desafio, a articulação entre todos
os profissionais da educação é de supra importância e creio que, pela
elasticidade do espaço e o seu potencial criativo, a BE poderá desempenhar um
papel fundamental na motivação para aprender, assim como, no desenvolvimento de
competências digitais.
As bibliotecas escolares são “ambientes de convívio e de trabalho onde se
realizam percursos formativos e de aprendizagem que estimulam a interação dos
alunos com tecnologias e fontes de informação diversificadas. Ocupam um lugar
imprescindível na escola, na medida em que fomentam o treino e a formação para
as literacias digitais, dos média e da informação, preparando os alunos para a
pesquisa, uso, produção e comunicação da informação e para a participação
segura e informada nas redes sociais1."
Neste contexto, o papel do professor
bibliotecário assume novo significado.
“A função do professor bibliotecário exige, para além
das competências em biblioteconomia, tecnologias e em gestão da informação,
outros conhecimentos muito diversificados nas áreas da pedagogia, psicologia,
economia, sociologia, ética2.”
A biblioteca digital exige ao professor
que além de facilitador/moderador, seja um criador e dinamizador de conteúdos,
numa comunicação que pode ocorrer em diferentes contextos (presencial/virtual;
assíncrona/síncrona) e através de diferentes ferramentas que a Web 2.0
disponibiliza (Wiki, blogues, fóruns, chat, redes sociais…). O resultado da sua
prática norteia-se entre a democratização do acesso ao conhecimento e a
aprendizagem colaborativa, capaz de produzir novos conhecimentos e unir toda
uma comunidade em torno de projetos comuns.
Neste âmbito, importa salientar as
competências esperadas das bibliotecas escolares do século XXI e antever qual o
perfil e que desafios se colocam ao professor bibliotecário:
_ Constituir-se como um núcleo da
organização pedagógica da escola, ou seja, um lugar no qual os recursos
existentes articulam com as diferentes disciplinas.
_ Constituir-se como centro de estímulo e
consolidação de aprendizagens e competências; através do qual os alunos têm
oportunidade de consultar diferentes recursos (materiais impressos,
audiovisuais, digitais) e colaborar no tratamento da informação e na produção
dos seus trabalhos.
_ Constituir-se como centro de atividade
cultural, no qual o gosto pela leitura, pela produção de textos de acordo com
as áreas de interesse dos alunos é essencial para o desenvolvimento pessoal,
artístico dos alunos.
Tudo o que a biblioteca escolar puder ser hoje, é o caminho para este amanhã construído por cidadãos críticos e participativos no bem-estar comum.
Bibliografia consultada pela turma:
Azevedo, Maria Alice Agra Eiras. A LEITURA
E AS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 – ARTICULAÇÃO CURRICULAR. II Encontro Nacional TIC
e Educação para Alunos do Ensino básico e Secundário
Conde, Elsa, A integração das
Tecnologias de Informação e Comunicação na Biblioteca Escolar
Cordeiro, Rita Fernandes (2011).
Competências em Literacia da Informação. Porto. Universidade Portucalense
Cunha, T. M., Figueiredo, M. B. O impacto da Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares das escolas
secundárias do concelho de Lisboa. Lisboa. Biblioteca Mário Sottomayor & Arquivo Histórico Parlamentar.
Fradique, M. F. S. C. (2011). As
Bibliotecas Escolares e o Papel do Professor Bibliotecário. Universidade da Beira Interior. Artes e Letras. Covilhã
2LIVRO 1. MOREIRA, J. A. & MONTEIRO, A.
(Orgs.) (2012). Ensinar e Aprender Online com Tecnologias Digitais: Abordagens
Teóricas e Metodológicas. Porto: Porto Editora.
Ministério
da Educação, Lançar a rede de Bibliotecas Escolares, Lisboa 1996, consultado no
dia 23 de maio de 2016 em http://www.rbe.mec.pt/np4/file/94/lancar_rbe.pdf
Proença, J. P. S. (2012). Biblioteca Escolar e Web 2.0
- Questões em torno de algumas práticas em implementação e perceção do impacto
no trabalho da Biblioteca. Universidade Aberta. Mestrado em Gestão da Informação e
Bibliotecas Escolares
1Programa Rede de Bibliotecas Escolares. Quadro Estratégico 2014-2020
(pag. 15), disponível em http://www.rbe.mec.pt/np4/np4/?newsId=1048&fileName=978_972_742_366_8.pdf
Tood, Ross. "O que queremos para o futuro das bibliotecas
escolares". Bibliotecarbe. Rede Bibliotecas Escolares. 2011
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