domingo, 26 de junho de 2016

Objetos multimédia na escola: como utilizá-los de forma pedagógica?




"Ensinar com as novas mídias será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantém distantes professores e alunos. Caso contrário, conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial."  Moran, 2000, p.63


Segundo Moran (2000), cada vez mais processamos a informação juntando pedaços de textos de várias linguagens superpostas simultaneamente e que se conectam com outras telas multimídia, como forma de responder a solicitações imprevisíveis que exigem soluções imediatas.


Talvez, como frutos deste quotidiano acelerado, os nossos jovens registam uma certa impaciência (e até mesmo resistência) face aos ritmos do processo de ensino-aprendizagem tradicional. A internet permite-lhes o acesso rápido à informação, o que não quer dizer que os seus significados sejam devidamente apreendidos ou contribuam para um conhecimento efetivo.


"Como ensinar e aprender em uma sociedade mais interconectada? "

Moran, 2000, p.11




A amplitude da utilização e das potencialidades das aplicações de multimédia em contexto escolar, pode ser difícil de apreender quando ou se desconhecem as ferramentas ou não se sabe como tirar melhor partido das mesmas. O ponto de partida ideal para a otimização da utilização dos objetos multimédia disponíveis nas escolas é o investimento na formação de professores.


É igualmente importante que os recursos materiais à disposição do docente estejam a funcionar devidamente. É um golpe na motivação dos profissionais, o tempo útil de aula que se perde pelo mau funcionamento dos equipamentos, dos softwares e das ligações de rede.


Partindo do pressuposto da rentabilização dos recursos existentes e disponíveis por parte dos docentes e do seu bom funcionamento, é necessário ceder espaço aos alunos para que possam ser mais ativos no seu processo de aprendizagem. O investimento numa maior autonomia na aquisição de conhecimentos por parte dos alunos, não põe em causa a autoridade do professor, mas requer uma alteração da sua prática docente.


Uma das principais mudanças que se pretende é a do método. Numa prática tradicional, o docente centra em si o papel principal na transmissão de conhecimento, conferindo aos alunos um papel secundário e passivo (recebem a informação no seu estado final). As novas tecnologias beneficiam uma metodologia construtivista, em que os alunos são sujeitos na aquisição do conhecimento e o professor surge como um orientador/facilitador e/ou intermediário/mediador no processo e nas relações que os alunos estabelecem entre si (Lagarto,1994).


De salutar, que o papel do aluno também se modifica, uma vez que lhe é atribuída maior participação e responsabilidade.


No debate da turma de Pós-Graduação em Educação Social – Tema III, a seguinte situação  foi considerada um bom exemplo da utilização pedagógica dos objetos multimédia em contexto de aula:



“Este ano, numa planificação de educação para a cidadania através da expressão dramática, utilizei desenho, foto e vídeo nos trabalhos que realizámos. A dinâmica foi muito interessante, principalmente porque os alunos não eram meros recetores, mas construtores de conteúdos. Esta é uma das grandes possibilidades que a multimédia nos oferece, o de construção dos nossos próprios recursos educativos e neste caso, por exemplo, foram preparados trabalhos por crianças com objetivo de estes serem visualizados por outras crianças.
Como estar na sala de aula, atitudes certas e erradas; O ABC; O que é o Bulling e Era uma vez, foram algumas das produções realizadas, com grande iniciativa por parte dos miúdos desde a conceção do roteiro à gravação e edição dos trabalhos.
Mais do que a visualização dos projetos idealizados, todos sentimos um grande entusiasmo no processo de construção. As palavras mais ouvidas este ano foram: "Corta!"; "Ação!" e "Eu!" (esta última em referência à participação motivada dos próprios).
A interatividade que estas ferramentas permitem é motivadora e potenciadora da criatividade, da cooperação entre pares e do espírito crítico (foi necessário refletir e selecionar todo o material produzido para a apresentação do produto final), ou seja, recursos a que o professor pode recorrer quer para transmitir, como para produzir para os alunos ou em conjunto com eles.”




Num olhar clínico – cientificamente falando – podemos afirmar que a estratégia de construção da aprendizagem foi pensada e realizada na ótica colaborativa, um arregaçar de mangas por todos os intervenientes. Dada a apatia que muitas vezes cerca os jovens estudantes, podemos considerar que o recurso aos objetos multimédia, quer pelo seu processo, como pelo seu resultado, é uma fonte motivacional para os estudantes, sobretudo porque as suas próprias experiências prévias (Piaget, 1996), como nativos digitais (Prenski, 2001), são validadas pelo professor.

Por outro lado, o próprio conceito de educação em rede só atinge o seu verdadeiro potencial quando este se encontra ao serviço da construção da aprendizagem como um processo de criação e inovação
 realizado colaborativamente.”  Dias, P. (2008: p. 5)

Conclusão
A resposta à questão que norteia esta reflexão pode ser então respondida com a seguinte fórmula:
Os objetos multimédia podem estimular a participação dos estudantes e o seu envolvimento com os conteúdos e com o compromisso de aprendizagem. Devemos utilizar pedagogicamente as ferramentas multimédia em estreita colaboração com os alunos; orientando-os e ajudando-os, com a nossa experiência e conhecimento e preparar-nos para fazer parte de uma Escola que aprende (Guerra, M.S., 2001).

“Os professores aprendem
A escola aprende
Os alunos ensinam os professores
Os alunos aprendem uns com os outros
Os professores aprendem juntos
Todos aprendemos uns com os outros.”
Guerra, M.S. (2001).


 

Serviços digitais ou ferramentas (Pérez Tornero, 2015, contributo da colega R.Tejeiro):

 
Blogs e microblogs:  Utilizam-se para desenvolver projetos ou para apresentar atividades das aulas.

Computação na nuvem: são servidores remotos que permitem o armazenamento quer de dados, quer de aplicações proporcionados pelo usuário mas que também podem ser partilhado

Cursos massivos em rede (MOOC): são cursos em geral de carater universitário, que se lecionam em rede e utilizam sistemas audiovisuais. Geralmente são de curta duração e são dirigidos a um grande numero de estudantes.

Entornos digitais de aprendizagem (LMS Learning Management Systems em inglês): Juntam muitos dispositivos, ferramentas, linguagens e funcionalidades, gestão de conteúdos e seguimento da aprendizagem como por exemplo a plataforma MOODLE. A gestão de estes entornos é bastante complicada para os professores que preferem utilizar plataformas mais especificas

Geolocalização: combinação de sensores e sinais radioelétricos que permitem fixar a situação de um dispositivo num local concreto do planeta e relacioná-los com planos, mapas e outros dados.

Jogos educativos em rede: permitem a participação de muitos jogadores e com uma finalidade didática utilizam as vantagens do trabalho cooperativo em rede

Livros de texto digitais, que não livros digitalizados: Estes livros digitais incluem interatividades, audiovisuais, plataformas de criação de conteúdos e proporcionam infinidade de outras ferramentas, com uma funcionalidade semelhante mais muito mais ampliada do livro tradicional. Permitem a integração dos recursos educativos em rede, a colaboração e participações em novos conteúdos e facilitam a aprendizagem analítica.

Realidade aumentada: são dispositivos que completam a realidade com a informação virtual.

Redes sociais educativas: Nestas redes os professores e alunos podem partilhar conteúdos, recursos, experiencias conhecimentos assim como colaboração e relacionamento por “grupos de interesse”.

Recursos educativos digitais abertos: São repositórios de recursos educativos, objetos de aprendizagem, lições que podem ser utilizadas na prática educativa como as bibliotecas virtuais.

Simuladores interativos: representam por imagens em movimento alguns objetos, situações, contextos e processos que resultam análogos e com os que o aluno, pode interatuar.


Referências bibliográficas


BELLONI, Maria Luiza (2009). Educação a distância. 5ª ed. Campinas, P:autores associados.


DIAS, P. (2008). Da e-moderação à mediação colaborativa nas comunidades de aprendizagem. In Educação, Formação & Tecnologias; vol.1(1); pp. 4-10. Consultado em junho/2016. Disponível em http://eft.educom.PT

GUERRA, M.S. (2001). A Escola que Aprende. Porto: ASA

LAGARTO, J. R. (1994). Formação profissional a Distância. 1a. ed, Lisboa: Universidade Aberta/Instituto do Emprego e Formação Profissional



MORAN, José Manuel et al. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 6. ed. Campinas: Papirus, 2000.

TORNERO, Pérez (org) Perspectivas 2015. Tecnologia y pedagogía en las aulas. Disponível em:
http://biblioteca.ucv.cl/site/colecciones/manuales_u/Dossier_Perspectivas2015_100dpi.pdf (consultado el 30 de mayo de 2016)

PIAGET, Jean. Biologia e Conhecimento. 2ª Ed. Vozes: Petrópolis, 1996.

PRENSKY, M. (2001).  “Digital Natives, Digital Immigrants”. On the Horizon. NCB University Press, No. 5, Vol. 9. 
 







domingo, 5 de junho de 2016

Biblioteca web 2.0, criando as raízes para o Futuro






No enunciado das competências a atribuir às bibliotecas escolares do século XXI, espera-se que a biblioteca digital, com as suas ferramentas de comunicação e informação, cresça no seio educativo “como uma rede de neurónios”, capaz de estimular toda uma comunidade e estabelecer pontes interdisciplinares e multiculturais.
A Web 2.0 permite, graças à sua capacidade de interatividade, esbater os obstáculos de tempo/espaço, facilitando o acesso à informação, a partir de qualquer local e sem constrangimentos de horário.  A universalidade do acesso na Web, aproxima os que nela interagem, num registo de eficácia e eficiência, just in time.
Neste desafio, a articulação entre todos os profissionais da educação é de supra importância e creio que, pela elasticidade do espaço e o seu potencial criativo, a BE poderá desempenhar um papel fundamental na motivação para aprender, assim como, no desenvolvimento de competências digitais.
As bibliotecas escolares são “ambientes de convívio e de trabalho onde se realizam percursos formativos e de aprendizagem que estimulam a interação dos alunos com tecnologias e fontes de informação diversificadas. Ocupam um lugar imprescindível na escola, na medida em que fomentam o treino e a formação para as literacias digitais, dos média e da informação, preparando os alunos para a pesquisa, uso, produção e comunicação da informação e para a participação segura e informada nas redes sociais1."
Neste contexto, o papel do professor bibliotecário assume novo significado.
“A função do professor bibliotecário exige, para além das competências em biblioteconomia, tecnologias e em gestão da informação, outros conhecimentos muito diversificados nas áreas da pedagogia, psicologia, economia, sociologia, ética2.”
A biblioteca digital exige ao professor que além de facilitador/moderador, seja um criador e dinamizador de conteúdos, numa comunicação que pode ocorrer em diferentes contextos (presencial/virtual; assíncrona/síncrona) e através de diferentes ferramentas que a Web 2.0 disponibiliza (Wiki, blogues, fóruns, chat, redes sociais…). O resultado da sua prática norteia-se entre a democratização do acesso ao conhecimento e a aprendizagem colaborativa, capaz de produzir novos conhecimentos e unir toda uma comunidade em torno de projetos comuns.
Neste âmbito, importa salientar as competências esperadas das bibliotecas escolares do século XXI e antever qual o perfil e que desafios se colocam ao professor bibliotecário:
_ Constituir-se como um núcleo da organização pedagógica da escola, ou seja, um lugar no qual os recursos existentes articulam com as diferentes disciplinas.
_ Constituir-se como centro de estímulo e consolidação de aprendizagens e competências; através do qual os alunos têm oportunidade de consultar diferentes recursos (materiais impressos, audiovisuais, digitais) e colaborar no tratamento da informação e na produção dos seus trabalhos.
_ Constituir-se como centro de atividade cultural, no qual o gosto pela leitura, pela produção de textos de acordo com as áreas de interesse dos alunos é essencial para o desenvolvimento pessoal, artístico dos alunos.
Tudo o que a biblioteca escolar puder ser hoje, é o caminho para este amanhã construído por cidadãos críticos e participativos no bem-estar comum. 

Bibliografia consultada pela turma:

Azevedo, Maria Alice Agra Eiras. A LEITURA E AS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 – ARTICULAÇÃO CURRICULAR. II Encontro Nacional TIC e Educação para Alunos do Ensino básico e Secundário
Conde, Elsa, A integração das Tecnologias de Informação e Comunicação na Biblioteca Escolar
Cordeiro, Rita Fernandes (2011). Competências em Literacia da Informação. Porto. Universidade Portucalense
Cunha, T. M., Figueiredo, M. B. O impacto da Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares das escolas secundárias do concelho de Lisboa. Lisboa. Biblioteca Mário Sottomayor & Arquivo Histórico Parlamentar.
Fradique, M. F. S. C. (2011). As Bibliotecas Escolares e o Papel do Professor Bibliotecário. Universidade da Beira Interior. Artes e Letras. Covilhã
2LIVRO 1. MOREIRA, J. A. & MONTEIRO, A. (Orgs.) (2012). Ensinar e Aprender Online com Tecnologias Digitais: Abordagens Teóricas e Metodológicas. Porto: Porto Editora. 
Ministério da Educação, Lançar a rede de Bibliotecas Escolares, Lisboa 1996, consultado no dia 23 de maio de 2016 em http://www.rbe.mec.pt/np4/file/94/lancar_rbe.pdf
Proença, J. P. S. (2012). Biblioteca Escolar e Web 2.0 - Questões em torno de algumas práticas em implementação e perceção do impacto no trabalho da Biblioteca. Universidade Aberta. Mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares
1Programa Rede de Bibliotecas Escolares. Quadro Estratégico 2014-2020 (pag. 15), disponível em http://www.rbe.mec.pt/np4/np4/?newsId=1048&fileName=978_972_742_366_8.pdf
Tood, Ross. "O que queremos para o futuro das bibliotecas escolares". Bibliotecarbe.  Rede Bibliotecas Escolares. 2011



domingo, 22 de maio de 2016

Resposta pedagógica a uma sociedade em constante mutação


As novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) evoluíram de tal forma que, o que começou por ser uma ferramenta, cresceu como um fenómeno capaz de reorganizar as sociedades.

Através desse estímulo tecnológico e em resposta aos novos desafios que emergiram no seio das diversificadas atividades humanas, pediu-se à Escola  que educasse para a constante mudança e que dotasse os alunos de competência digital (recomendação da Comissão Europeia), uma chave para a adaptação e progressão contínua dos indivíduos e respectivas comunidades no mundo actual.

Adaptabilidade e a capacidade de inovar acaba por ser, inicialmente, tarefa dos mestres (aqueles que ensinam), tendo por finalidade, o saber fazer emergir essas mesmas qualidades nos seus alunos. A aquisição de tais competências estimularia a criatividade e dotaria o sujeito aprendente de um sentido reflexivo/crítico, capacidades necessárias para superar os desafios do Século XXI. Neste sentido, podemos falar num processo de transferência, partilha e cooperação na responsabilidade da aprendizagem entre professores e alunos, esperando-se destes últimos, maior autonomia e motivação.

Não podendo o Aprender ser uma contrariedade e não sendo o Saber um sistema fechado, faz todo o sentido que  a prática docente esteja em constante evolução, quer na relação com os alunos, quer na relação com o Saber, o Saber Aprender e as ferramentas que potenciam tais práticas e relações.

Contextualizando o ciberespaço, segundo Pierre Levy, como  "a virtualização da comunicação" e neste contexto, apesar de não existir comunicação face to face, a interatividade  tem um papel central, isto porque, dois fatores contribuem para fazer de um grupo proveniente de diferentes origens. culturas e experiências,  uma comunidade de aprendizagem: a força do laço social e a intencionalidade dos encontros.

De acordo com Garrisson, Anderson e Archer (Garisson et al., 2000), a aprendizagem acontece a partir da interação de três elementos: a presença  cognitiva, a presença social (afetiva) e a presença de ensino. No que respeita ao desafio académico proposto por esta UC, no momento, a reflexão impõe-se sobre o papel e as competências do professor que se situa entre criador de conteúdos e facilitador entre alunos-conteúdos e entre alunos-alunos.

Adoptar novas práticas pedagógicas  é uma resposta naturalmente requerida na construção significativa de conhecimento em ambientes emergentes como as comunidades educativas em ambiente virtual (sistema de ensino a distância), sem constrangimentos de barreiras geográficas ou de horários rígidos. Em E@D ( Ensino a distância), as classes podem ser virtuais (e-learning) ou mistas (b-learning) e o LMS permite usar ferramentas de comunicação assíncrona (fóruns, blog), ou síncrona (Chat, Skype).


Os quadros seguintes foram elaborados segundo Fátima Goulão - Ensinar e aprender em ambientes online: alterações e continuidades na(s) prática(s) docente(s), da bibliografia referenciada.O primeiro quadro incide sobre as áreas e competências que um professor deve desenvolver e o segundo em que ambientes podem ser utilizadas, quando as interações humanas e de ensino-aprendizagem são mediadas por computador.

Síntese das competências e do papel do professor em interações mediadas por computador
Área de conhecimento do professor
- Conhecimentos sobre o desenvolvimento humano
- Conhecimentos sobre os conteúdos a lecionar
- Conhecimentos didáticos e pedagógicos
- Conhecimentos tecnológicos

Área de Ação Docente
- Planificação
- Recursos
- Comunicação

Área Pedagógica
- Animador, dinamizador, moderador, facilitador, comunicador, líder e motivador

Área Organizacional
- Avaliações das matérias pelas quais é responsável

Área Social
- Criador de ambientes positivos e amigáveis que fortalecem as interações e o trabalho colaborativo

Área Técnica
- Conhecedor teórico e prático das TIC



Sabendo que a utilização das TIC em meio educativo, representa um ensino mais apelativo, com maior motivação para aprender pelos alunos e que promove a partilha entre estudantes, "resta-nos" responder quanto aos ambientes no âmbito da sua amplitude:


Em que ambientes?
No seio das aulas
Nos centros educativos
Na extensão das próprias aulas

  - Em bibliotecas

  - Em museus
                          Com Wifi?
Em qualquer lugar e em qualquer momento

      Em que tipo de ensino?
Formal:  Ensino Básico; Secundário e Superior

Não Formal de formação profissional e desenvolvimento pessoal e artístico

Em conclusão, partilho uma visão de futuro, uma preocupação presente, cujos enunciados políticos e económicos se inscrevem na mutação dos paradigmas humanos, dos quais o educativo não é exceção.



Referências bibliográficas consultadas pela turma

Alfredo Manuel Cordeiro de Oliveira, Luís Tinoca .AS IMPLICAÇÕES DO B-LEARNING NO SUCESSO, SATISFAÇÃO E MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS DO 3ºCICLO DO ENSINO BÁSICO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NOS CONCELHOS DE RIO MAIOR E SANTARÉM. Universidade Aberta, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa

Carlos Miguel Azevedo Esteves. O B-LEARNING COMO MODALIDADE VÁLIDA DE APRENDIZAGEM NO 1ºCICLO DO ENSINO BÁSICO: ESTUDO DE CASO COM UMA TURMA DO 3º ANO DE ESCOLARIDADE. Escola Superior de Educação de Bragança.

Cunha, Tiago Mota & Figueiredo, Marina Barros - O impacto da Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares das escolas secundárias do concelho de Lisboa, 2010

Coutinho, Mariana de Souza & Fabiarz, Alexandre - Redes sociais e educação: uma visão sobre os nativos e imigrantes digitais e o uso de sites colaborativos em processos pedagógicos

Escola, J. J. J. 'Ensinar e aprender na Sociedade do Conhecimento'. Livro de Actas-4° SOPCOM - Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro.

 1Moreira, António J. & Monteiro e Angélica (orgs.), Ensinar e Aprender Online com Tecnologias Digitais, Porto Editora

Moreira, J.A.M. & Monteiro, A.A. - O trabalho pedagógico em cenários presenciais e virtuais no ensino superior - Educação, Formação & Tecnologias (Novembro, 2010)

domingo, 24 de abril de 2016

TIC em contexto educativo - uma reflexão contínua, um paradigma educacional em desenvolvimento

O uso da tecnologia em contexto educativo pode ter um efeito contrário ao esperado reforçando o ensino obsoleto (Pacheco) e não produzindo os resultados de aprendizagem esperados. Para responder aos desafios que a Sociedade da Informação impõe, é imperativo compreender de que forma, os agentes de educativos devem contribuir para a aquisição de conhecimentos significativos.
As politicas educativas devem criar o espaço para que a escola de hoje mude. Pais e professores necessitam de aceitar a mudança.
No que diz respeito aos equipamentos, estes não se podem limitar a um computador por sala, ou a uma sala TIC, à qual o aluno não pode aceder fora do contexto de aula. Se o método de ensino não mudar, a informação é ainda passada de forma expositiva, tradicional e apenas no sentido da alfabetização digital.
Além dos equipamentos e software necessários, impõe-se à escola e aos seus profissionais, uma alteração na forma de atuação e de gestão do currículo que permita instituir uma verdadeira comunidade de aprendizagem (Delors, 1996).
O papel da escola e dos professores deve reinventar-se, abrindo-se aos contextos sociais e culturais, à diversidade dos alunos, aos seus conhecimentos, experimentações e interesses (Silva, 2006).
Se por um lado se pretende que o aluno não seja um mero recetor de informação, mas que participe tanto na aquisição de conhecimento como na produção do mesmo e ao longo da vida; do professor é esperado que seja um criador de conteúdos, guia, mediador, conselheiro e desafiador, acompanhando na busca, seleção e tratamento da informação (Carneiro, 2004; Adell, 1996).
O professor atual, não sendo um nativo digital, tem de aprender a “língua”, manter-se atualizado e implementar esses conhecimentos na sua prática diária como parte integrante das metodologias de ensino (Carneiro, 2004). Para fomentar o sentido crítico nos seus alunos e capacitá-los para um mundo em permanente mudança, ele próprio tem de estar preparado; o que exige grande investimento, espírito inovador e disponibilidade para a mudança.
Refletindo sobre a questão “como inserir as TIC dentro de uma proposta pedagógica”, penso no já é feito, como por exemplo: o recurso a portfólios digitais, nos quais os alunos expõem os seus trabalhos; o recurso a jogos educativos interativos, em diferentes áreas do saber; o envio de trabalhos por email e a apresentação dos mesmos pelos alunos em contexto de sala de aula.
Este ano por exemplo, os meus alunos, com idades compreendidas entre os 6 e os 8, estão a usar a fotografia e o vídeo, para representar o que se deve ou não fazer - distinguir o certo ou errado, por simulação das situações - como a criatividade de um potencia a criatividade de outro – construção de histórias em colaboração, desenho inspirados em outros desenhos. Na fase final do projeto, vamos editar os vídeos, escolher as fotografias e construir a apresentação a divulgar junto da comunidade educativa.
O trabalho em colaboração é facilitador de aprendizagens significativas (construídas sobre os conhecimentos prévios do aluno) e construtor de uma cidadania proactiva, onde todos têm um papel na aquisição e construção de conhecimento.

Segundo Silva (2006, 145),

 “espera-se, assim, que o aluno seja capaz de ser: Um cidadão participativo e colaborativo; Co-responsável no seu próprio processo de aprendizagem; Um cidadão com capacidade para a auto-reflexão; Um cidadão construtor de conhecimento; Um elo na cadeia do desenvolvimento da sociedade a que pertence”.

Bibliografia consultada pela  turma:

Cadeias, M.I. e Silva, J.A. (2008), A nossa sala de aula já é maior que o planeta Terra! In Educação, Formação e Tecnologias, vol.1 (1), pp. 142-152. Disponível em http://eft.educom.pt 


Miranda, Guilhermina Lobato. “Limites e possibilidades das TIC na educação”

O uso das TIC e as alterações no espaço educativo, Poncinho Ricardo Filipe da Silva & GAspar, João Pedro Marceneiro, pp.143-154

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aprendizagem_significativa